Luta principal da noite ficou abaixo do esperado
A fase quarta de final do GP do Strikeforce foi encerrada no sábado. O holandês Alistair Overeem (detentor do cinturão da categoria na organização) venceu o brasileiro Fabrício Werdum em morna decisão unânime, e o norte-americano Josh Barnett finalizou o compatriota Brett Rogers no segundo round.
Abaixo, vamos analisar e discorrer sobre lições, opções, possibilidades e aspirações que ficaram após mais uma rodada do torneio terminada.
O fator anti-luta: Considerado um dos grandes finalizadores entre os pesos pesados, Fabrício Werdum cansou em demasia logo nos primeiros minutos. Com isso, prejudicou evento, fãs, adversário e a si mesmo ao adotar a anti-estratégia de se jogar no chão e pedir para o Overeem aceitar a disputa franca no solo. O holandês, obviamente, não quis correr grandes riscos. Não caiu na armadilha e soube se livrar do perigo em diversas oportunidades.
Intenções semelhantes já haviam sido adotadas no passado por outros lutadores (Vitor Belfort x Kasushi Sakuraba no Pride foi um dos exemplos mais concretos). O fato ocorrido sábado novamente foi nocivo para a fluidez do combate e deveria ser coibido com penalizações imediatas dos próximos compromissos. Vai que a 'moda' pega...
MMA não é fisiculturismo: Alistair Overeem se gaba de ter um dos portes físicos mais avantajados do esporte. É comum estar envolvido em treinamentos de força levados às últimas consequências, ao lado de gigantes europeus que participam de competições estilo 'homem mais forte do mundo'.
Em contrapartida, parece deixar cada vez de lado mais a evolução nas habilidades de luta. Se mostrou lento e com técnica pobre demais em pé para um campeão do K-1 (maior torneio de luta em pé no mundo). Também cansou logo, foi atingido diversas vezes pelos golpes de Werdum e, se tivesse pela frente um adversário com maior pegada de golpes, estaria em grandes apuros. No fim, performance bem distante de quem havia demolido os últimos seis adversários por nocaute no primeiro assalto.
Estigmas: A atuação de Fabrício Werdum realmente monopolizou boa parte das atenções. Não se coloca em dúvida a competência do atleta, mas para quem chegou ao combate principal da noite credenciado após vitória histórica por finalização com triângulo (estrangulamento com as pernas) misturado com chave de braço em pouco mais de 50 segundos sobre uma das lendas do MMA moderno — o russo Fedor Emelianenko - foi muito pouco.
O brasileiro já teve altos e baixos na carreira. Aos 33 anos, Werdum ainda tem alguns anos pela frente como profissional. E agora deve reciclar e repensar diversos aspectos dos treinamentos e tem ótimas chances de novos passos importantes na carreira, para não ser lembrado unicamente do triunfo sobre Fedor.
Do outro lado funcionou: No outro combate válido pelas quartas do torneio, Josh Barnett tinha basicamente a mesma intenção de fazer valer o padrão de grappler frente ao mais limitado - mas também striker por excelência -, Brett Rogers. Rapidamente, Barnett fez valer a transição troca de golpes/clinch/quedas/luta de solo e conseguiu vantagens.
Mesmo sem tanta ação no primeiro assalto, repetiu a dose no segundo e encerrou o combate ao aplicar um katagatame (estrangulamento lateral), que forçou o oponente bater em desistência. A tática simples abafou todas as chances do oponente de forma imediata e chamou atenção pelo ritmo imposto.
Previsões: Sergei Kharitonov x Josh Barnett e Antonio Pezão Silva x Alistair Overeem se enfrentarão em breve pelas semifinais. De forma mais abrangente, se levarmos em conta as últimas apresentações e quem demonstrou padrões de luta mais sólidos, a aposta mais plausível seria em cravar Pezão x Barnett na decisão.